quinta-feira, 14 de junho de 2012

Preservação, humanismo, psicologia, antropologia


Através dos mitos, e de outros aspectos de sua cultura, aos gregos antigos são creditadas muitas contribuições ao mundo Ocidental de hoje, dentre as quais:
• o desenvolvimento harmonioso do corpo e da mente humana;[177]
• a cidade autônoma;[177]
• a concepção da arte;[177]
• a especulação filosófica.[177]
Prometeu Carregando Fogo, por Jan Cossiers: preservado pelo século XVII, o mito de Prometeu é considerado humanista a partir do momento que ele rouba fogo divino e compartilha com os humanos, numa tentativa comum de tornar-se o dono do mundo.[178][179]
A mitologia grega foi retomada e revista nas artes e nos campos intelectuais dos séculos posteriores àqueles em que tinha se originado, e a preservação de seus mitos contribuiu fundamentalmente na compreensão do ser humano enquanto figura do humanismo.[180][181] Em Linguagem e Mito, o filósofo Ernst Cassirer afirma que "[...]a mitologia irrompeu com mais força nos tempos mais antigos da história do pensamento humano, mas nunca desapareceu por inteiro".[182] Sendo assim, os mitos gregos influíram, indiscutivelmente, na filosofia, na parapsicologia, e nas consciências educacionaisecológicas e sobre nós mesmos.[183][184][185][186] Na psicologia, especificamente, os simbolismos da mitologia grega representam um papel fundamental: os psicólogos associam a borboleta a uma estreita relação entre a mente do homem e a sua natureza espiritual, bem como a transformação, alma, libertação, sorte, sensualidade, e psiquê[187] (cuja origem vem do gregopsyché).[188] Muito antes, contudo, os gregos representavam a alma humana como uma borboleta, como meio de dar-lhe o significado simbólico de transformação, e da passagem da vida corpórea para a vida espiritual.[188][189] Portanto, muitos dos conceitos atuais se apoiaram em heranças que a mitologia da Grécia nos legou. Para Mircea Eliade, "os mitos gregos, efetivamente, narram não apenas a origem do Mundo, dos animais, das plantas e do homem, mas também de todos os acontecimentos primordiais em consequência dos quais o homem se converteu no que é hoje um ser mortal, sexuado, organizado em sociedade, obrigado a trabalhar para viver, e trabalhando de acordo com determinadas regras."[190]
Maria Lucia Gili Massi,[191] chefe da área de desenvolvimento de recursos humanos, apontou numa entrevista de maio de 2005, que os "mitos ajudam a entender relações humanas."[191] Para o professor de Literatura e História da Arte Fábio Brazil,[192] conhecer os mitos, "sejam eles polinésios, tupinambás, maias, sumérios ou gregos não é o estudo de um fenômeno local e temporal, é o estudo e conhecimento da resposta simbólica do homem diante da natureza interna e externa à sua psique [...]", e reforça que os mitos gregos "[são] para nós um ato de autoconhecimento."[192] Segundo Brazil, através dessa convenção olhar o mito pela face da religião fará com que olhemos também seus desdobramentos na história e naarte; se olharmos o mito pela face da arte, olharemos, inevitavelmente, seus desdobramentos na religião e na história e, por último, se o olharmos através da história, inevitavelmente seremos obrigados a olhá-lo também na arte e na religião.[192]Para o francês Lévi-Strauss, fundador da antropologia estruturalista,[193] as narrativas míticas, com seu poder de fascinar por meio de heróis audaciosos, ainda são fontes de vigor, resistência, e de referência para os ocidentais.[194] No livro O Cru e o Cozido (2004), Strauss afirma que os mitos gregos são vantajosos por serem capazes de configurarem-se em "analogias universais que, independentes da língua materna de cada um, podem ser familiares a todos nós.

POSTADO POR NICOLE

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